Hoje é 21 de maio de 2024 07:10
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Juiz torna réu e manda afastar do cargo delegado acusado de estupro de miss trans

Decisão judicial também impôs outras restrições ao policial, como recolhimento de seu passaporte e obrigação de comparecer ao fórum mensalmente até o dia cinco de cada mês
Kleyton Manoel Dias responde ao processo em liberdade; Polícia Civil afirma que tomará as providências cabíveis assim que for notificada da decisão judicial // Foto: Reprodução

O delegado Kleyton Manoel Dias, da Polícia Civil de Goiás, foi formalmente acusado de estupro e direção sob influência de álcool, tornando-se réu após a Justiça aceitar a denúncia na terça-feira, 5 de março. De acordo com o Ministério Público, ele é acusado de violentar sexualmente uma mulher trans de 23 anos, que atua como modelo e miss, na noite de 5 de janeiro deste ano.

Dias, que ocupa atualmente o cargo de titular do 2º Distrito Policial em Goiânia, teria oferecido uma carona à vítima após saírem de um bar no bairro Alto da Glória, na capital goiana, onde estavam celebrando o aniversário de um amigo em comum. Durante o trajeto, ele teria cometido os crimes. A vítima afirma ter desmaiado durante o ataque e registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte na Delegacia da Mulher.

Na decisão judicial, o juiz Liciomar Fernandes da Silva, da 3ª Vara Criminal de Goiânia, ordenou o afastamento imediato de Dias de suas funções, além de impor outras restrições, como o recolhimento de seu passaporte e a obrigação de comparecer ao fórum mensalmente até o dia 5 de cada mês.

Dias está proibido de deixar Goiânia por mais de cinco dias sem autorização do juiz, de entrar em contato com as testemunhas pessoalmente ou por meio de intermediários, e de se comunicar com a vítima ou seus familiares. Ele também deve manter uma distância mínima de 200 metros da modelo e miss, conforme estipulado na decisão.

Além das consequências criminais, o Ministério Público solicitou indenização pelos danos materiais e morais sofridos pela vítima, visando reparar os prejuízos psicológicos causados pelo crime.

A Polícia Civil de Goiás afirmou que Dias permanecerá no cargo até que a instituição seja oficialmente notificada pela Justiça, o que ainda não ocorreu. A corporação se comprometeu a agir de acordo com as medidas judiciais assim que receber a notificação.

O juiz também ordenou a preservação da identidade e da imagem da vítima. O advogado da miss, Cristiano Pacheco Lustosa, considerou a aceitação da denúncia como uma validação das declarações feitas pela vítima, que tem sido alvo de ataques online, com acusações de busca por fama. Ele afirmou que a vítima tem vivido reclusa, mudando frequentemente de residência e buscando apoio médico e psicológico.

Além disso, ela perdeu contratos publicitários e oportunidades profissionais. O advogado está considerando a participação dela no Miss Universo Trans, para o qual foi classificada.

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