Hoje é 20 de abril de 2024 14:36
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Investigação sobre venda de joias aponta US$ 25 mil ocultos destinados a Bolsonaro

Relatório da Polícia Federal que embasou busca e apreensão indica que presentes de governos estrangeiros foram ilegalmente vendidos nos EUA; defesa afirma que ex-presidente jamais se apropriou de bens públicos
Ex-presidente Jair Bolsonaro com o ex-ajudante de ordens: áudio obtido pela Polícia Federal revela uma conversa de Mauro Cid na qual há citação do valor de US$ 25 mil “possivelmente pertencentes” ao político // Foto: Alan Santos/PR/Divulgação

Áudio obtido pela Polícia Federal revela uma conversa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), na qual houve a citação do valor de US$ 25 mil possivelmente pertencentes ao ex-presidente.

A conversa faz parte do relatório da investigação que baseou a deflagração da Operação Lucas 12:2, que apura o suposto funcionamento de uma organização criminosa para desviar e vender presentes de autoridades estrangeiras durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na manhã desta sexta-feira (11/8), a PF realizou buscas e apreensões contra Mauro Cid, o pai dele, general de Exército Mauro Lourena Cid, e o ex-advogado de Bolsonaro, Frederick Wassef.

Na decisão que determinou a realização da operação, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes citou o avanço das investigações da PF, apontando que o dinheiro das vendas dos presentes eram remetidos a Bolsonaro.

“Identificou-se, em acréscimo, que os valores obtidos dessas vendas eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-Presidente da República, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores”, diz trecho do despacho do ministro.

No dia 18 de janeiro deste ano, Cid trocou mensagens com Marcelo Câmara, apontado como assessor de Bolsonaro, sobre a venda de esculturas presenteadas pelo governo do Bahrein durante viagem oficial.

Na avaliação dos investigadores, o general Mauro Lourena Cid estaria com o valor de US$ 25 mil, “possivelmente pertencentes a Jair Bolsonaro”. Conforme o relatório, os interlocutores também evidenciaram receio de usar o sistema bancário para “repassar o dinheiro ao ex-presidente”.

“Tem vinte e cinco mil dólares com meu pai. Eu estava vendo o que era melhor fazer com esse dinheiro, levar em cash aí. Meu pai estava querendo inclusive ir aí falar com o presidente. E aí, ele poderia levar. Entregaria em mãos. Mas, também pode depositar na conta. Eu acho que quanto menos movimentação em conta, melhor, né?”, escreveu Mauro Cid.

Conforme regras do Tribunal de Contas da União, os presentes de governo estrangeiros deviam ser incorporados ao Gabinete Adjunto de Documentação Histórica (GADH), setor da Presidência da República responsável pela guarda dos presentes, que não poderiam ficar no acervo pessoal de Bolsonaro, nem deixar de ser catalogados.

Defesa de Bolsonaro afirma que ele abrirá sigilo bancário

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou, na noite de sexta-feira (11), que ele “jamais se apropriou ou desviou” bens públicos. Em nota divulgada à imprensa, os advogados também afirmaram que Bolsonaro vai abrir seu sigilo bancário à Justiça.

Pouco antes da divulgação da nota, veículos da imprensa afirmaram que a Polícia Federal pedirá à Justiça a quebra de sigilo bancário e telefônico do ex-presidente.

A manifestação da defesa foi motivada pela deflagração da Operação Lucas 12:2, que apura o suposto funcionamento de uma organização criminosa para desviar e vender presentes de autoridades estrangeiras durante o governo Bolsonaro. O versículo 12.2 do livro de Lucas diz: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”.

Os advogados Paulo Amador Bueno e Daniel Tesser afirmaram que o ex-presidente já havia solicitado ao Tribunal de Contas da União (TCU) o depósito dos presentes recebidos.

“Sobre os fatos ventilados na data de hoje nos veículos de imprensa nacional, a defesa do [ex] presidente Jair Bolsonaro, voluntariamente e sem que houvesse sido instada, peticionou junto ao TCU, em meados de março, requerendo o depósito dos itens naquela Corte até final decisão sobre seu tratamento, o que de fato foi feito. O [ex] presidente Bolsonaro reitera que jamais apropriou-se ou desviou quaisquer bens públicos, colocando à disposição do Poder Judiciário sua movimentação bancária”, declarou a defesa. (Com informações da Agência Brasil)

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