Hoje é 21 de maio de 2024 07:52
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Centro-direita vence eleição em Portugal com maioria apertada

Coligação Aliança Democrática ganhou 79 cadeiras na Assembleia da República, duas a mais que a principal sigla adversária, o esquerdista Partido Socialista
Luís Montenegro, da Aliança Democrática, o provável novo primeiro-ministro de Portugal // Foto: João Pedro Domingos/Fotos Públicas/I

A eleição legislativa deste domingo (10/3) pôs fim a oito anos de poder socialista em Portugal. A Aliança Democrática (AD), de centro-direita, comandada por Luis Montenegro, obteve uma estreita vitória à frente do Partido Socialista (PS), liderada por Pedro Nuno Santos.

O primeiro acumulou 29,5% dos votos e garantiu 79 assentos de um total de 230. Já o PS conseguiu 28,7% dos votos e 77 deputados. Para ter maioria absoluta, o AD precisaria consolidar uma aliança com o Chega.

Apesar disso, o líder da AD deixou claro que não abrirá as portas do governo à extrema direita, como prometeu durante a campanha. Ele afirmou que seria “uma tremenda maldade” se fizesse o contrário.

Segundo analistas, é grande a possibilidade de Montenegro liderar um governo de minoria, algo possível em Portugal, mas que traz consigo o fantasma da instabilidade. Desde 1976, apenas três Gabinetes desse tipo conseguiram chegar ao fim de seus mandatos: a aliança de 2015, quando o Partido Socialista se juntou aos partidos de esquerda (união apelidada de “geringonça”); o primeiro governo de António Guterres, no final dos anos 1990, e o de Carlos César nos Açores, nesta mesma época.

Para estas eleições, Montenegro decidiu recuperar uma coalizão histórica, a Aliança Democrática, com a qual seu partido venceu pela primeira vez uma eleição após o fim da ditadura.

Junto ao Partido Social Democrata (PSD, centro-direita), a coalizão inclui o Centro Democrático e Social-Partido Popular (CDS-PP, direita conservadora) e o Partido Popular Monárquico (PPM), duas formações que não tinham presença na Assembleia da República.

Em seu discurso, Montenegro não disse se convidaria representantes da Iniciativa Liberal (IL) para participar de seu futuro gabinete, uma sigla com visão ultraliberal na economia e nas políticas públicas. Montenegro e o líder da IL, Rui Rocha, se encontraram para um almoço há alguns meses para expressar sua vontade de chegar a acordos pós-eleitorais. Os liberais terão oito assentos, o mesmo número que na legislatura anterior.

O resultado de domingo confirma o Chega como um partido político de crescimento vertiginoso em apenas cinco anos. Das fileiras socialistas, lamentou-se que o avanço da extrema direita ocorresse quando se comemoram os 50 anos da Revolução dos Cravos, que encerrou a ditadura em Portugal em 1974.

“O Partido Socialista deve fazer uma forte oposição e se preparar para enfrentar o que vem, que se prevê que não será bom para os portugueses”, destacou a ministra Ana Catarina Mendes.

“São os socialistas que devem estar atentos e não permitir que a democracia caia”, acrescentou.

No bloco de esquerda, a única alegria foi para o Livre, que passou de um para quatro deputados e poderá formar um grupo parlamentar. O Bloco de Esquerda manteve os cinco assentos sem que a renovação na liderança com a economista Mariana Mortágua tenha beneficiado nas urnas, enquanto o Partido Comunista Português, que se apresentava pela primeira vez com Paulo Raimundo, perdeu dois dos seis deputados que tinha, passando para as mãos do Chega.

Nesta segunda-feira, o popular jornal Correio da Manhã escreveu que “o furacão Chega vira o país para a direita”. Já o Jornal de Notícias resumiu a situação assim: “Uma vitória frágil, um país dividido”.

O chefe dos socialistas aceitou sua derrota e assumiu o papel de líder da oposição. Pedro Nuno Santos advertiu, no entanto, que não se sentia obrigado a ceder em relação ao próximo orçamento do Estado e a se abster em sua aprovação.

Este será o teste crucial para a frágil maioria de centro-direita, entre a esquerda e a extrema direita. Uma das maiores agências de rating do mundo, a canadense DBRS comentou que “o principal risco está relacionado com uma paralisia parlamentar e um governo instável”, que poderia enfrentar “obstáculos importantes”.

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